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Caça à Aurora com as crianças

Faz 6 noites que chegamos na Islândia.

Os meses de outubro e novembro parecem ser um pouco parados em relação a atividades por aqui. Muitas exibições, parques, fazendas e outras atividades a céu aberto funcionam somente na temporada de verão (que termina em 30 de setembro). Então aconteceu de chegarmos em lugares e dar de cara na porta. O tempo também não tem colaborado muito para atividades externas, como caminhadas. Nós viemos preparados para o frio, roupas adequadas e tals, mas está ventando demais! A média tem sido de 30-40 km/h.

Mas mesmo assim conseguimos fazer coisas legais. Outro dia fomos ao zoológico, ontem fomos ao Viking World (Mundo Viking), um museu que conta um pouco sobre a colonização da Islândia (que comecou em 874 D.C.) e tem uma réplica de um navio viking. Essa réplica é um navio real, feito com base em um navio que foi achado em escavações, e navegou da Islândia até Nova Iorque! As meninas se divertiram com os chapéus, vendo os barcos menores e aprendendo sobre os deuses em que eles acreditavam.

Hoje o plano era ficar mais em casa porque o Esdras está resfriado. Mas o sol estava tão lindo que resolvemos dirigir aqui pela peninsula de Reykjanesbaer e procurar um lago que não achamos da outra vez. O sol estava lindo, mas o vento estava (e continua) fortíssimo. Esse lago se chama Kleifarvatn, e fica no meio das montanhas. A paisagem para chegar até lá é de tirar o fôlego (e parte da estrada também!). E para quem não sabia, a Islândia (nome que no original significa Terra do Gelo) não é só gelo, é verde também! Aliás, nesta região (Sudoeste) da ilha é bem mais verde do que gelado!

Mas como estamos mais ao norte, a viagem não poderia deixar de envolver a Aurora Boreal. Ou pelo menos planos de vê-la. Como eu já disse estamos aqui faz 6 noites e até agora não conseguimos ver a Aurora. Para conseguirmos ver a Aurora são necessárias 3 coisas: céu aberto à noite (sem núvens), atividade da aurora alta (texto em inglês sobre índice de atividade aqui) e paciência. Quando o Esdras viaja sozinho para caçar Aurora, ele pode passar a noite inteira acordado e dormir quando quiser/puder de dia. Desta vez estamos com as crianças, ou seja, nada de dormir durante o dia!

Alguns dias tivemos céu aberto, mas a atividade da Aurora estava baixa. Outros dias estava totalmente encoberto. Hoje calhou de termos céu aberto e previsão de atividade boa da Aurora. Então demos janta pras crianças, colocamos pijama nelas, roupa de neve por cima do pijama, e colocamos todo mundo no carro. Eram cerca de 8 da noite quando saímos pra dirigir. O Esdras tira fotos da Aurora, então precisamos de um lugar sem muita luz artificial, senão compromete a qualidade das fotos. Dirigimos, esperamos, dirigimos, esperamos… As crianças dormiram no carro… e nada da dona Aurora aparecer. Quando deu umas 10 da noite, resolvemos voltar pra casa. Aí começou a ventar muito (50km/h) e chover. O tempo fechou completamente.

Resumo da ópera: colocamos as crianças na cama, e ainda estou aqui na esperança de que entre uma chuva e outra eu consiga ver alguma coisa. Quem sabe Deus não tira as tintas coloridas e pinta o céu pra gente ver? :)

Férias de novo

Oi!

Muitas coisas aconteceram desde o último post. A Andrea já fez 1 ano, a Melissa começou a ir pra pré escola, e a Evelyn pra escola de verdade (ela já sabe escrever algumas letras!).

Tive sim oportunidades de sentar e escrever um post antes, mas entre gastar tempo escrevendo ou ir pra cama mais cedo,o sono venceu!

Mas agora estamos aqui, de férias de novo. Alguns meses atrás achamos vôos baratos de Belfast (Irlanda do Norte) pra Reykjavik  (Islândia) e compramos. Depois nos demos conta que as coisas na Islândia são tão caras que talvez temha sido burrice “aproveitar” o vôo barato.

E cada vez que a viagem vai chegando perto eu me lembro que apesar de gostar de viajar eu odeio fazer malas. A experiência do Camino já nos mostrou que precisamos de poucas roupas,mas viajar com bebê e criança com alergia alimentar sempre requer um pouco mais de preparação (ainda mais agora que eu parei de amamentar). As nossas viagens são sempre o mais barato possível, então viajamos só com as malas da cabine (uma mala pequena, de 10kg, pra cada passageiro).

Será que vai caber tudo?

Mas bem, fizemos as malas, diriginos quase 4h pra chegar da nossa casa até o aeroporto de Belfast, voamos 2h e chegamos!

Alugamos uma casinha de madeira a 15 minutos do aeroporto pelas primeiras 5 noites. Foi uma ótima ideia, já que chegamos bem cansados do trajeto todo. Agora estamos verificando a previsão do tempo (e cobertura de nuvens) para ver onde teremos maior chance de ver a Aurora Boreal.

Ontem à noite parecia que tínhamos as condições perfeitas para ver a Aurora, nenhuma nuvem no céu, noite linda com uma lua cheia enorme. Mas a atividade da aurora foi tão fraca que não chegou até aqui…

Fomos ao zoológico durante o dia, e agora as crianças estão dormindo, e o Esdras saiu para ver se consegue alguma foto boa. Estamos aguardando!

Deus é bom, o tempo todo!

Férias sem andar

Olá, que leitor que curtiu o nosso Camino.

Hoje venho contar sobre outra viagem. Dessa vez, tiramos férias sem andar. Talvez não faça muito sentido pra quem está lendo do Brasil, mas pros brasileiros que estão na Irlanda essa dica pode ser interessante. (eu prometo fotos depois!)

Moramos no centro da Irlanda, e conseguimos em um site de agência de viagens um desconto para a travessia de balsa e acomodação em um camping no norte da França. Nós já tinhamos usado balsa antes, mas para ir à Escócia, e a balsa dura só 2 horas (e mesmo assim já é cara). A travessia para a França leva uma noite inteira, então é outro tipo de balsa, tem cabines pra dormir, restaurantes, cafés, espaço pras crianças brincarem e até cinema. O pacote que nós compramos valeu MUITO a pena, contando todas as “atrações”.

A ideia foi minha, na verdade. Achei que depois de ter passado o inverno inteiro em casa com crianças doentes, depois da aventura no Camino, e da outra viagem que fizemos (estar em uma ilha, na cara do atlântico, dormindo em um trailer durante uma mega tempestate de vento!), nós merecíamos uma viagem mais tranquila (e sem muito vai-vem).

Na verdade, nada garantiria que não teríamos imprevistos. E tivemos. As 2 meninas mais novas empipocaram de catapora 2 dias antes de pegarmos a balsa. Mas mesmo assim foi bom.

O itinerário foi: dirigir de casa até Rosslare, no sul da Irlanda (3h). Atravessar de balsa até Roscoff, no norte da França (a noite toda). Dirigir até o nosso destino que era perto da cidadezinha de Bénodet na costa noroeste da França (1,5h).

O destino era um camping onde há muitas “mobile homes”. São como trailer, mas têm a estrutura de uma casa (e não têm mais rodas, são fixos). A nossa mobile home tinha 2 quartos, cozinha com sala de estar e um banheiro com chuveiro e tudo mais. Esse camping tinha também um complexo de piscinas, 2 toboáguas, e um parquinho na piscina, além de atividades para as crianças (que eles chamam de kids club). Então desde a Andrea (10 meses) até a Evelyn (4 anos e 9 meses) teriam algo legal pra curtir lá.

Dessa vez não precisamos escolher muito o que levar, afinal não carregaríamos nada nas costas, e sim no nosso próprio carro. E mesmo tendo o carro, depois de andar o Camino e ver que conseguimos passar 3 semanas com 3 trocas de roupa pra cada, eu nem consegui levar muita coisa. Acho que levamos mais comida do que roupa :)

Então fiz uma mala pras 4 mulheres e o Esdras fez a mochila dele. Separamos uma bolsa com algumas comidas um pijama e uma troca de roupa pra cada pra levar na cabine da balsa (a bagagem fica no carro e a gente não pode voltar pro carro a não ser que seja uma emergência). E nessas horas eu dou graças a Deus por ainda estar amamentando, diminui muito a parafernália que a bebê precisa.

Na balsa, a Evelyn foi brincar na área das crianças, tomou um sorvete com o papai, e depois comemos juntos na cabine. Eu tive que manter a Melissa e a Andrea na cabine por causa da catapora. Entrando na cabine só o que se vê é um sofá, uma mesa e a porta pro banheiro. Aí você se dá conta que as camas estão dobradas na parede. Quando abrimos as camas, parece que tem 2 beliches na cabine. Então 4 camas. Na ida praticamente não dormimos porque a Melissa e a Andrea acordavam um montão por causa da catapora, mas na volta foi mais tranquilo (apesar de ter balançado bastante).

Nos dois primeiros dias ficamos meio presos porque as meninas ainda tinham muitas bolhinhas de catapora (tem que esperar secar pra não passar pros outros). A Evelyn não, ela já tinha pego (na viagem da tempestade), mas as outras duas sim. Então eu e o Esdras revezamos em levar a Evelyn no parquinho e na piscina, enquanto o outro ficava em casa com as duas menores.

Tivemos uns contratempos na mobile home: a geladeira não estava funcionando. Trocaram por outra, também não funcionou porque o problema era na fiação. O eletricista só conseguiria vir no dia seguinte. Naquela noite tivemos uma infestação de formigas (com e sem asas!), provavelmente por causa de todo o movimento de arrastar geladeiras. Bom, foram 2 dias sem geladeira e sem poder sair muito, mas os 2 problemas foram resolvidos de uma vez (aparentemente o problema elétrico tinha a ver com as formigas na fiação).

Sinceramente, foi muito legal! As meninas amaram tudo: a balsa, a praia, as piscinas, o toboágua, os kids clubs, as aulas de bike, o parquinho, tomar sorvete vendo o por do sol. Aqui na Irlanda o sol se põe lá pelas 10 da noite da primavera até o outono, então elas não conseguem ver. Pra nós também foi legal, apesar dos chiliques de cansaço das crianças, e a bebê dormindo com a gente na cama (em casa ela tem o berço e o quarto dela). Foi muito bom ver as meninas curtirem, e o Esdras ainda conseguiu fazer um pouco de snorkeling! (Glória a Deus pelo kids club :D )

A única coisa que eu me arrependo é de não ter ficado mais tempo. O nosso pacote era fechado, uma semana, então não dava para estender. Mas eu teria ficado mais uma semana sem dúvida!

Então você que está na Irlanda, saiba que é possível e muito legal esse tipo de viagem. E vale a pena ficar mais de uma semana. Mas atenção na hora de marcar o lugar, porque existem muitos campings como esse na França e alguns são um tanto longe da balsa em Rosslare. O nosso camping era 1 hora e meia da balsa, o de uma amiga ainda tinha que dirigir 4 horas!

A nossa próxima viagem está marcada: estaremos na Islândia em outubro! Mais uma aventura.

Camino – Por que fizemos com as crianças?

Todo mundo dizia: Mas que loucura levar as meninas! Três crianças pequenas! Vocês têm certeza?

O post de hoje é baseado em perguntas e comentários desse tipo. Se você não nos seguiu durante a viagem, corra e leia :) Começando pelo 1° dia. Vou enumerar algumas razões pelas quais levamos as meninas pro Camino, mas já começo dizendo que a pergunta não deve ser “por que levar as crianças?” e sim “por que não levar as crianças?

  • Nós gostamos de viajar

Antes de termos filhos, eu e o Esdras usávamos as nossas férias para sair e conhecer algum lugar diferente. Quando mudamos pra Irlanda também aproveitávamos todos os feriados pra viajar. E não somos do tipo que vai ver museu e tals, gostamos mais de ver paisagens naturais. Preferimos ver a criação de Deus, ou algo que tenha significado (como visitar as cidades onde temos família, ou onde nasceram os antepassados). E queremos que as nossas filhas compartilhem da nossa paixão. Essa não foi a primeira viagem que fazemos com elas. O Esdras inclusive leva as duas mais velhas (de 4 e 3 anos) pra acampar, desde que a Melissa tinha 2 anos. Eu não sou tão chegada em acampar, porque eu já durmo mal em casa, imagina numa barraca! Mas elas AMAM!

  • Crianças não são barreira para o que gostamos de fazer (elas são mais flexíveis que os adultos)

Pais que gostam de futebol não levam os seus filhos pro estádio? Ou “ensinam” o filho a torcer pelo seu time? Estamos ensinando as nossas filhas a gostarem de viajar do melhor jeito: viajando! Claro, quando se planeja uma viagem em família nós levamos em conta os interesses e as limitações de todos, não só dos adultos. Não esperamos que elas sejam capazes de fazer tudo o que nós fazemos, até por isso nós evitamos os trechos montanhosos do Camino (impensável empurrar carrinho com 2 crianças por lá, e elas também não andariam tudo). Mas é possível viajar e curtir! A cada viagem aprendemos mais sobre como lidar, quais atividades escolher, onde se hospedar, etc, então quanto mais a gente viaja, menos estressante fica, porque a gente já tá melhor preparado (e as nossas expectativas são mais realistas). Sinceramente, essa viagem do Camino foi menos estressante do que a viagem que fizemos pra Islândia em 2014, na qual ficamos hospedados em um hugar só e tínhamos um carro para locomoção. E nesse tipo de viagem que nós gostamos de fazer (preferindo a natureza) há muita margem pras meninas soltarem a imaginação. Não precisa ser um resort com parque aquático para ser divertido pras crianças, elas acham diversão até em pegar dentes-de-leão pelo Camino.

  • Tempo em família

Cá entre nós, tempo é uma coisa preciosa hoje em dia. São tantas as atividades! Eu não estou trabalhando fora mas também não paro o dia inteiro. E mesmo quando o Esdras está trabalhando de casa são raros os dias em que conseguimos sentar pra almoçar todos juntos. Então as férias são tempo pra passarmos juntos. Antes de irmos pro Camino nós preparamos as crianças. Em casa nós dormirmos em quartos separados, como disse nem comer juntos funciona todos os dias. Mas combinamos que durante as nossas férias nós comeríamos juntos, andaríamos juntos, dormiríamos juntos e falaríamos de Jesus pras pessoas juntos. Isso foi ótimo pra nos aproximar e termos tempo pra conversar, brincar e ouvir as meninas. Isso também ajudou a aumentar a confiança das crianças em nós. Não que elas não confiassem na gente, mas por exemplo, quando estávamos andando em lugares onde não tinha proteção entre a trilha e a estrada, falamos pra elas que elas não podiam andar porque era perigoso, e elas viam os carros passarem quase voando, então entendiam que nós queríamos o melhor pra elas. Elas também aprenderam a confiar que nós iríamos atender as necessidades delas sempre que possível (comida, banheiro, água, sono). São coisas que elas continuam seguindo mesmo quando voltamos pra casa.

  • Aprender a se adaptar às situações

Como eu já disse, nós não somos do tipo que viaja pra Resort, ou que faz passeios caros em lugares fechados. Nosso tipo de viagem é “budget” (barata) com algum conforto e pra ver paisagens, natureza. No começo da viagem ouvimos “ah, mas não quero comer isso”. Claro que em casa também ouvimos (quem tem criança sabe como é). Mas lá não tinhamos acesso a nossa geladeira, então não tinha alternativa, como às vezes tem em casa. Ou comia o que tinha, ou esperava a próxima refeição, provavelmente tendo que andar no meio tempo. Cada uma cuidando da sua mochila, e elas ainda tinham o privilégio de dormir enquanto nós andávamos, mas todos aprendemos que era pra comer o que tinha (respeitando as limitações de alergias alimentares), quando pudéssemos parar, e tomar banho e dormir só quando chegasse no hotel. Se o quarto do hotel tinha 3 camas, elas dormiam cada uma na sua cama, se só tinha 2, elas dividiam a cama. Se tinha berço, a bebê dormia no berço, se não tinha, a gente dava um jeito. Se o aquecimento funcionava, beleza! Se não funcionava, veste mais roupa pra dormir. Se tinha leite de soja, elas tomavam antes de dormir, se não tinha, tomavam suco ou água (ou nada!). E elas seguiram de boa, se adaptando muitas vezes melhor do que eu.

  • Por que o Camino, e não outra viagem?
Na verdade, poderia ter sido qualquer outra viagem, mas decidimos fazer essa! Novamente, a pergunta deve ser feita ao contrário: Por que não o Camino? Existe muito misticismo que ronda o Camino, mas a ideia original do Camino tem a ver com Deus. O Camino começou como peregrinação, como penitência, pessoas buscando o perdão dos pecados. Nós, os Alves Passos, cremos no que a Bíblia diz, então não acreditamos que andar o Camino nos faz merecedor de perdão ou da Salvação. A única coisa que nos faz receber o perdão dos pecados e a Salvação é crer que Jesus morreu pra pagar pelos nossos pecados (Atos 2:38 / 1 Pedro 3:18). Também não acreditamos que São Tiago pode nos abençoar, proteger ou perdoar. Uma senhora que nos viu passar por Ligonde disse “Estão andando o Camino com três filhas? É muito amor por Santiago!” Mas não, o nosso amor é por Jesus (como dissemos pra ela), pois a Bíblia diz que só Jesus pode mediar a relação entre os homens e Deus, que foi quebrada pelo pecado (1 Timóteo 2:5,6).
Jesus pagou o nosso resgate, e assim como aconteceu na conversa com essa senhora, nós usamos todas as oportunidades pra compartilhar essa verdade com as pessoas que encontramos pelo Camino. E essa é a nossa outra paixão: compartilhar a mensagem da Salvação em Jesus Cristo com as pessoas, onde estivermos. Queremos que as nossas filhas aprendam a amar isso também, então estamos tentando dar o exemplo em todo lugar. Eu escrevi um pouco mais sobre a motivação nesse post de preparação.

Nenhuma viagem com criança é sem preocupação e estresse. Sempre tem. Se esse não é o seu tipo de viagem, de boa, não faça, nem sem as crianças. Mas se é isso que você curte, e quer compartilhar com a sua família, inclua os pequenos no seu plano!

Você tem alguma pergunta? Quem sabe podemos tirar alguma dúvida mais pontual. Deixe o seu comentário. Se os comentários estiverem fechados neste post, procure o mais atual, mas não deixe de entrar em contato! Queremos que a nossa experiência ajude outros que estão planejando fazer o mesmo.

No próximo post da série viagens, coisas práticas que aprendemos fazendo o Camino com crianças.

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“Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus.” 1 Pedro 3:18

“Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo.” Atos 2:38

“há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos” 1 Timóteo 2:5,6

Feliz aniversário Melissa!

Hoje peço licença dos posts sobre o Camino pra agradecer a Deus por essa menina preciosa que Ele nos deu.
Sempre cheia de Abraços e beijinhos, sorridente mas também muito determinada, a Melissa completou 3 anos hoje!

Happy bday

Camino – missão cumprida

Olá! Estou escrevendo do conforto do meu sofá.
Desculpem não ter atualizado o blog, mas depois que chegamos em Santiago foi tudo uma grande correria. Pra vocês terem uma ideia, chegamos na Irlanda na sexta feira, e ainda hoje estávamos correndo (a Evelyn nem voltou pra escola ainda!)

Bom, no dia 7 de abril, saímos de Lavacolla (na verdade, a acomodação era 4km depois de Lacavolla) encaramos mais umas subidas, tomamos um lanche em Monte do Gozo e depois de uma descida enoooorme podíamos já ver a cidade de Santiago de Compostela. Que surpresa, ver uma escadaria para chegar na cidade… Tínhamos uma decisão a fazer: ou pegar o caminho das bicicletas (pés doendo, desta vez não enviamos a mochila então tínhamos mais peso para carregar) ou carregar o carrinho escada abaixo.

Decidimos tirar as crianças do carrinho e carregá-lo pela escada. Nessa hora apareceu um homem que tínhamos encontrado na saída de León! Ele se ofereceu para ajudar e carregou com o Esdras o carrinho até lá embaixo. Que alegria ver rostos conhecidos! E pensar que esse cara fez a pé todo o caminho que nós “pulamos” com trem, taxi, e ônibus, e ainda assim chegamos ao mesmo tempo!

E dessa escadaria até chegar na catedral, creio que andamos uns outros 4km! Se não é tudo isso, é o que pareceu. Meus pés e costas doíam tanto (cansaço acumulado, bebê no canguru, mais mochila = argh!) que foi um alívio chegar ao centro histórico de Santiago de Compostela. Ah! Uma dica importante que muitas pessoas esquecem: é proibido entrar na catedral com mochila! Sim, existem procedimentos de segurança, e os guardas dentro da catedral mandam você sair se você entrar com ela.
Mas se você chega em Santiago e vai pegar o carimbo de chegada e a Compostela (certificado de conclusão da peregrinação), você tem que ir à Oficina do Peregrino, e lá existe um serviço que guarda a sua mochila.

Eu me arrependo de não ter passado mais tempo em Santiago. Que lugar lindo! Eu gostaria de ter ido a museus e exposições sobre Tiago, o discípulo de Jesus. Mas com crianças fica difícil. E nós tínhamos que pegar o trem para ir a Portugal (de onde saiu o nosso vôo de volta pra casa).

Quando cheguei, as perguntas mais frequentes foram:
Você gostou da viagem?
Sim, apesar de que eu acho que gosto mais dela agora que meus pés não estão mais doendo! Mas foi interessante, nós aprendemos muito sobre como lidar com muitas coisas em família, vimos paisagens maravilhosas, conversamos com pessoas de lugares diferentes e tivemos oportunidades de compartilhar o nosso Jesus com outros. Não foi fácil, meu pé ainda não está 100% recuperado, mas eu gostei sim.

E as crianças? Como elas viram essa viagem louca?
Elas curtiram MUITO! Elas gostavam de andar, andavam cantando, fingindo que eram princesas e que todas aquelas terras eram o reino delas, cantavam no carrinho, dormiam enquanto nós empurrávamos o carrinho delas, acharam o maior barato pedir carimbo nos lugares e procurar as setas do caminho.

Então se você gosta de passeios com caminhadas, e quer envolver a sua família, saiba que é possível fazer. É difícil para os pais, que tem que “carregar” as crianças, e aguentar as manhas de cansaço (sim, tivemos muitas), mas não é impossível. Mas o meu conselho é: faça uma trilha mais fácil, ou mais curta com eles primeiro.
Se nós formos novamente fazer algo desse tipo, a Evelyn com certeza não estará mais no carrinho, então termos que andar no passo dela, e andar somente o que ela aguentar. No carrinho a gente simplesmente empurra e vai no nosso ritmo, mas se eles são grandes demais pra pegar uma carona, as coisas mudam um pouco.

Nós fomos com 3, se você tem 2 com certeza vai ser menos trabalho (e menos peso!). Planejar bem as paradas pra descanso (ou pra deixar que eles corram um pouco, se ficaram muito tempo no carrinho) é sempre uma boa pedida, e seja flexível: os imprevistos virão.

Nos próximos posts eu vou colocar algumas coisas pontuais que nós aprendemos, desde a nossa motivação para ir, bagagem, equipamentos, medicamentos, até acomodação pro Camino com crianças pequenas. Se você começou a ler só hoje, dê uma espiada em como foi o Camino desde o 1o. dia!

Que a Paz do Senhor Jesus seja com você!

Camino – 12° dia

Chegamos!
Na foto não da pra ver bem, mas a nossa credencial estava cheia de carimbos. Não pegamos o certificado (chamado de Compostela), depois explico melhor.

Tiramos fotos, visitamos a catedral e assistimos à missa pra tentar ver incenso e não acenderam.
Depois dou mais detalhes do ultimo dia, e algumas dicas que podem ser úteis!
pras crianças, a “recompensa” por ter andado foi encontrar o que elas chamaram de o melhor parquinho do mundo!

Obrigada Jesus por termos chegado ao nosso destino, e por tudo o que aprendemos no Caminho.

Camino – 11° dia

Hoje é o penúltimo dia da nossa caminhada.
Depois de termos descansado ontem, os nossos pés e pernas estavam recuperados o suficiente para andarmos até a próxima acomodação. Enviamos a mochila grande novamente e seguimos caminhando de Brea (o Pino) com destino a Lavacolla. A maior parte desse trecho não foi difícil, poucas subidas e a maior parte do caminho foi no meio da mata, então tínhamos uma sombra gostosa. Paramos pra comer num lugar que tinha este cartaz:

“Não temos wifi (conversem entre vocês)” Achei muito digno :) o que mais se vê são pessoas nas mesas dos bares e restaurantes olhando pros seus próprios telefones. Reforçou mais ainda a minha vontade de ter uma caixa escrito “deposite aqui o seu celular/tablet” na entrada da minha casa.

Depois de mais da metade do nosso caminho ter sido tranquila, começaram as subidonas. Uma bem longa até chegar ao aeroporto de Santiago (o Camino contorna o aeroporto.) Paramos pra descansar e tomar um sorvete de novo. Ainda bem que paramos porque depois do aeroporto foram subidas sem fim até chegarmos à nossa acomodação.
Sabíamos que era em Lavacolla, e um pperegrino que eencontramos nos disse que esse era o lugar onde os peregrinos se lavavam antes de chegar a Santiago, pra não chegar com cheiro muito ruim. E o tal incensário da Catedral era aceso justamente pra disfarçar o cheiro dos peregrinos na catedral, senão as pessoas não conseguiam assistir à missa. (Atualmente, segundo ele, alguém tem que pagar para acender o incensário).

Antes de sairmos eu perguntei pro Esdras se a nossa acomodação de hoje era hotel, ele me disse que era pensão. Acho que nessa viagem só não ficamos em albergues públicos até agora, já ficamos em albergue privado, em hostal, em pensão, em apartamento (em Madri) e em hotel.
Quando ele me falou pensão, pensei logo no que foram as outras pensões da viagem, um quarto com banheiro compartilhado, e teríamos que jantar fora porque eles não podem servir comida.
Mas fui surpreendida. É um hotel, tem até cozinha no quarto. E acabamos jantando aqui mesmo, por estarmos cansados da caminhada (e, por favor, sem mais subidas). Foi a melhor janta até agora!
Aqui também tem moedas nas paredes, como encontramos em tantas outras acomodações e restaurantes mas dessa vez eu resolvi perguntar o porquê.

As meninas já aprenderam que essas elas não podem pegar, mas resolvi perguntar o porquê das tais moedas. O dono daqui me disse que as pessoas deixam como recordação delas pra dar sorte pro estabelecimento. Mas ele disse que a parte da sorte não funciona hehehe!

Estamos indo dormir. Nos vemos amanhã em Santiago de Compostela!

 

Perto de Vilamaior em Lavacolla: ”O único caminho para Deus é Jesus. Faça esse Caminho!” (Não fomos nós que escrevemos na parede mas essa também é a nossa mensagem!)

Camino – 10° dia

Hoje seria o décimo dia de caminhada mas, como eu escrevi ontem, decidimos descansar. Dormimos em Melide, cidadezinha linda e bem agitada (domingo de Páscoa, muita gentr na rua, parquinho cheio de crianças na praça). A nossa próxima acomodação era só em Brea, 27,5km de Melide. Era muito pra andar com pés e pernas doendo demais.
Deixamos as crianças brincarem um pouco no parquinho, comemos churros e pegamos jm ônibus de Melide a Arzúa.

Andamos um pouco, achamos setas amarelas, passamos pela rua das Dores e achamos apropriado tirar uma foto! Depois achamos um parquinho legal pras meninas gastarem maia energia (já que hoje não iriam caminhar). Encontramos um lugar legal pra comer e o Esdras decidiu experimentar o tal do polvo. Em todo lugar da Galícia encontramos as tais “pulperias”. Ontem mesmo em melide nós entramos em uma pensando em comer mas o cheiro do lugar não agradou. Hoje, como o lugar não tinha aquele cheiro do caldeirão de polvo, ele resolveu encarar.

E não era ruim não, eu também experimentei!
Resumo da ópera, não caminhamos, não posso te contar sobre o caminho de Melide a Brea, mas valeu muito a pena parar um pouco e descansar as pernas. O Esdras está sem dor agora à noite e o meu pé está bem melhor.
Creio que essa seria uma das vantagens de não ter acomodação marcada: você vai no seu passo, anda o quanto consegue, para pelo tempo que precisa. Nós tínhamos que vir pra Brea hoje porque a acomodação estava marcada, mas foi muito bom termos vindo de ônibus e deixado nossas perninhas (e braços!) descansarem.

Acabamos não encontrando igreja pra celebrar a Páscoa, mas não esquecemos entre nós que hoje nós comemoramos que Jesus ressuscitou! Ele venceu a morte e está vivo, como Ele disse que faria.
Glória a Deus, o túmulo está vazio, Jesus está vivo!

Camino – 9° dia

Hoje pela manha, deixamos a cidade de Palas de Rei. Saímos bem tarde. As noites têm sido difíceis com bebê acordando muitas vezes, Melissa se mexendo muito e caindo da cama e as tosses todas, então decidimos não correr de manhã.

É o nono dia de caminhada e dona da pensão onde ficamos nos disse que o caminho era plano e bem pavimentado ate Melide, nosso destino de hoje. Beleza, 14,5km plano e pavimentado,  até sonhamos em terminar a caminhada do dia em menos de 3h.

Claro que pela rodovia o caminho é bem mais plano e pavimentado, essa mulher com ccerteza só foi até Melide de carro… o caminho dos pperegrinos é sempre cheio de subidas e descidas. Realmente o terreno não era dos piores, mas novamente tinha pedras, um alagamento que tem uma travessia pelas pedras (onde o carrinho não cabe) e a dona lama.

Não teria sido difícil se as minhas pernas e pés não estivessem tão moídos. Nossa primeira parada de manhã foi na farmácia comprar uns band-aids especiais pea bolhas e o Esdras sugeriu que eu comprasse uma palmilha,  já que o meu tênis é daqueles bem baratinhos. Comprei logo uma de gel, fez diferença! Coloquei também os band-aids nas bolhas dos dois dedinhos e a dor também melhorou muito! Mas junta do meu dedão do pé dói com qualquer movimento do dedão, e essa não melhorou com as palmilhas,  então eu ando torta e sobrecarrega as minhas pernas.

Valeu a pena ter comprado esse aparato (aliás eu deveria ter comprado antes!) mas depois de 1h de caminhada eu já não processava mais nada de tanta dor. Mas andei os 14,5km de hoje. Chegamos em Melide e ainda saímos pra jantar.

Amanhã seria o dia em que andaríamos mais, mas estamos os dois quebrados então decidimos não andar. Vamos procurar uma igreja pra celebrar a Páscoa e descansar os pés pra andar os últimos dois dias.