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Escrevendo sobre escrever

Estou pensando em começar a escrever um livro. Só não sei quem seria louco de ler, mas se pensar que alguns artistas (ou mesmo cientistas) não foram reconhecidos enquanto vivos, eu tenho alguma chance de suceder como escritora. Não que o meu objetivo seja ser famosa. Até porque a minha ideia de sucesso é ouvir Deus falar “Muito bem, serva boa e fiel”. Ah, e eu não quero escrever livros de teoria, ou de teologia, eu quero escrever estórias que mexam com a imaginação das pessoas. Vamos ver como vai ser.

Também não tenho lido muito recentemente. Eu tenho muitos livros na fila, mas eu acabo começando a ler dois ou três ao mesmo tempo, o que acaba sendo um erro já que o meu cérebro não absorve o que cada um diz separadamente, quem dirá misturados. Então eu acabo desistindo de ler porque quando chego ao terceiro ou quarto capítulo, eu já esqueci o que aconteceu no primeiro. Mas eu sou tonta e continuo fazendo isso. Por essa razão minha conta do Kindle tem muitos livros há meses ou anos!

Mas a forma como eu tenho lido é diferente agora. A minha mente está focada no processo criativo. Enquanto eu penso em escrever meu próprio livro (ou contos, ou o que quer que essas ideias na minha cabeça virem no fim das contas), eu leio já pensando “como será que esses escritores decidiram usar essas palavras em específico?”, ou esses personagens, ou essa terra, ou esse enredo. E eu tenho feito a mesma coisa com filmes e seriados que eu assisto (em especial, Doctor Who e Sherlock, que são meu vício do momento).

Então, pensando sobre os meus próprios posts nesse blog, que não são necessariamente criativos, eu posso imaginar como também funciona com os livros. O primeiro livro que é escrito como “tempestade de ideias” (odeio essa tradução pra brainstorming, mas não tenho outra melhor), como palavras vomitadas na página. Um vômito mais limpinho, não o tipo que minha filha tem produzido nos últimos dias. Escrevemos muitas ideias misturadas no computador (ou um bloco de anotações, se você gosta de coisas escritas à mão, como eu), para tirá-las da sua cabeça e prevenir o esquecimento. Parece bem romântico, mas às vezes essas ideias moas vêm quando você está muito cansado, precisando dormir, aí você encosta a cabeça no travesseiro e não consegue pegar no sono por causa desses monstrinhos que não te deixam. E se você pensa (como eu fiz) “Ah, eu posso escrever amanhã de manhã quando estiver descansada”, esqueça! Geralmente não funciona. Você vai perder horas de sono pensando nelas e quando acordar a mente estará vazia. Escreva! E é exatamente isso que eu estou fazendo agora (post original em inglês foi postado à 00:29).

Aí o segundo livro é quando você senta com tempo, relê o que está escrito e pensa “o que é que eu tinha na cabeça?” Bom, aquelas palavras vomitadas eram exatamente o que eu tinha na cabeça naquele momento, dã! Pode levar mais do que uma lida para tirar algo realmente satisfatório daquele vômito.  Mas é aí que eu posso organizar, mudar parágrafos de lugar para esclarecer algumas ideias, ou para dar mais suspense à estória, ou até mesmo apagar frases completas que não se encaixam no resto do texto. Então é uma limpada bem por cima, ainda não está perfeito.

O terceiro livro é o que eu acredito que será publicado. Depois da primeira desentulhada, eu dou uma varrida boa, verifico a gramática e a ortografia novamente, aí eu preciso convencer alguém a editar e publicar pra mim. Não me leve a mal. Eu sei que o processo é muito mais complexo do que escrever/reescrever/revisar. Eu sei que o livro pode ir e voltar entre escritor e editor muitas vezes antes desse terceiro livro ser publicado, mas a ideia é que aquele primeiro livro que foi virado na página está totalmente diferente agora.

Na verdade, isso acontece (ou deveria) em todos os processos de escrita. Foi verdade para as minhas resenhas da faculdade, é o mesmo pros meus posts do blog, com a diferença é que nos meus textos, até agora, eu tenho sido escritora e editora, então eu só tenho que convencer a mim mesma que o texto é bom o suficiente para entregar para o professor (e em alguns casos, não eram) ou simplesmente apertar o botão “Publicar” aqui no WordPress.

Tenho certeza que não será tão simples quando outra pessoa editar o meu livro. :)

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