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Férias sem andar

Olá, que leitor que curtiu o nosso Camino.

Hoje venho contar sobre outra viagem. Dessa vez, tiramos férias sem andar. Talvez não faça muito sentido pra quem está lendo do Brasil, mas pros brasileiros que estão na Irlanda essa dica pode ser interessante. (eu prometo fotos depois!)

Moramos no centro da Irlanda, e conseguimos em um site de agência de viagens um desconto para a travessia de balsa e acomodação em um camping no norte da França. Nós já tinhamos usado balsa antes, mas para ir à Escócia, e a balsa dura só 2 horas (e mesmo assim já é cara). A travessia para a França leva uma noite inteira, então é outro tipo de balsa, tem cabines pra dormir, restaurantes, cafés, espaço pras crianças brincarem e até cinema. O pacote que nós compramos valeu MUITO a pena, contando todas as “atrações”.

A ideia foi minha, na verdade. Achei que depois de ter passado o inverno inteiro em casa com crianças doentes, depois da aventura no Camino, e da outra viagem que fizemos (estar em uma ilha, na cara do atlântico, dormindo em um trailer durante uma mega tempestate de vento!), nós merecíamos uma viagem mais tranquila (e sem muito vai-vem).

Na verdade, nada garantiria que não teríamos imprevistos. E tivemos. As 2 meninas mais novas empipocaram de catapora 2 dias antes de pegarmos a balsa. Mas mesmo assim foi bom.

O itinerário foi: dirigir de casa até Rosslare, no sul da Irlanda (3h). Atravessar de balsa até Roscoff, no norte da França (a noite toda). Dirigir até o nosso destino que era perto da cidadezinha de Bénodet na costa noroeste da França (1,5h).

O destino era um camping onde há muitas “mobile homes”. São como trailer, mas têm a estrutura de uma casa (e não têm mais rodas, são fixos). A nossa mobile home tinha 2 quartos, cozinha com sala de estar e um banheiro com chuveiro e tudo mais. Esse camping tinha também um complexo de piscinas, 2 toboáguas, e um parquinho na piscina, além de atividades para as crianças (que eles chamam de kids club). Então desde a Andrea (10 meses) até a Evelyn (4 anos e 9 meses) teriam algo legal pra curtir lá.

Dessa vez não precisamos escolher muito o que levar, afinal não carregaríamos nada nas costas, e sim no nosso próprio carro. E mesmo tendo o carro, depois de andar o Camino e ver que conseguimos passar 3 semanas com 3 trocas de roupa pra cada, eu nem consegui levar muita coisa. Acho que levamos mais comida do que roupa :)

Então fiz uma mala pras 4 mulheres e o Esdras fez a mochila dele. Separamos uma bolsa com algumas comidas um pijama e uma troca de roupa pra cada pra levar na cabine da balsa (a bagagem fica no carro e a gente não pode voltar pro carro a não ser que seja uma emergência). E nessas horas eu dou graças a Deus por ainda estar amamentando, diminui muito a parafernália que a bebê precisa.

Na balsa, a Evelyn foi brincar na área das crianças, tomou um sorvete com o papai, e depois comemos juntos na cabine. Eu tive que manter a Melissa e a Andrea na cabine por causa da catapora. Entrando na cabine só o que se vê é um sofá, uma mesa e a porta pro banheiro. Aí você se dá conta que as camas estão dobradas na parede. Quando abrimos as camas, parece que tem 2 beliches na cabine. Então 4 camas. Na ida praticamente não dormimos porque a Melissa e a Andrea acordavam um montão por causa da catapora, mas na volta foi mais tranquilo (apesar de ter balançado bastante).

Nos dois primeiros dias ficamos meio presos porque as meninas ainda tinham muitas bolhinhas de catapora (tem que esperar secar pra não passar pros outros). A Evelyn não, ela já tinha pego (na viagem da tempestade), mas as outras duas sim. Então eu e o Esdras revezamos em levar a Evelyn no parquinho e na piscina, enquanto o outro ficava em casa com as duas menores.

Tivemos uns contratempos na mobile home: a geladeira não estava funcionando. Trocaram por outra, também não funcionou porque o problema era na fiação. O eletricista só conseguiria vir no dia seguinte. Naquela noite tivemos uma infestação de formigas (com e sem asas!), provavelmente por causa de todo o movimento de arrastar geladeiras. Bom, foram 2 dias sem geladeira e sem poder sair muito, mas os 2 problemas foram resolvidos de uma vez (aparentemente o problema elétrico tinha a ver com as formigas na fiação).

Sinceramente, foi muito legal! As meninas amaram tudo: a balsa, a praia, as piscinas, o toboágua, os kids clubs, as aulas de bike, o parquinho, tomar sorvete vendo o por do sol. Aqui na Irlanda o sol se põe lá pelas 10 da noite da primavera até o outono, então elas não conseguem ver. Pra nós também foi legal, apesar dos chiliques de cansaço das crianças, e a bebê dormindo com a gente na cama (em casa ela tem o berço e o quarto dela). Foi muito bom ver as meninas curtirem, e o Esdras ainda conseguiu fazer um pouco de snorkeling! (Glória a Deus pelo kids club :D )

A única coisa que eu me arrependo é de não ter ficado mais tempo. O nosso pacote era fechado, uma semana, então não dava para estender. Mas eu teria ficado mais uma semana sem dúvida!

Então você que está na Irlanda, saiba que é possível e muito legal esse tipo de viagem. E vale a pena ficar mais de uma semana. Mas atenção na hora de marcar o lugar, porque existem muitos campings como esse na França e alguns são um tanto longe da balsa em Rosslare. O nosso camping era 1 hora e meia da balsa, o de uma amiga ainda tinha que dirigir 4 horas!

A nossa próxima viagem está marcada: estaremos na Islândia em outubro! Mais uma aventura.

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